A Minha Historia de Vida e Pesquisa entre os Walimanai (Baniwa) do
Noroeste Amazônico, Brasil
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PESQUISA PITSIRO PAMÁALI
Robin M. Wright
Em 1972, conclui o curso de Sociologia e Antropologia do Departamento de Sociologia e Antropologia de Bates College (Lewiston, Maine, EUA), concentrando o interesse de estudo na área de Antropologia a partir do terceiro ano do curso. Na época, o contato com a Etnologia através da obra do antropólogo frances Claude Lévi-Strauss e a análise de mitos influenciaram a minha escolha de Antropologia como campo profissional a que me dedicaria. A minha dissertação de graduação, sobre “O Estruturalismo de Claude Lévi-Strauss,” basicamente traçou os antecedentes da Antropologia estrutural na Antropologia continental, Lingüística e Mitologia Comparada, e procurou entender o conjunto de obras de Lévi-Strauss, desde Estruturas Elementares de Parentesco até Mythologiques, vol. 1. A tese concluiu por examinar as diferenças filosóficas entre o estruturalismo e existencialismo francês. A tese, que recebeu distinção e louvor, definiu alguns dos principais interesses teóricos na Antropologia simbólica que eu desenvolveria no Programa de Doutorado da Stanford University.
Durante meu primeiro ano no Programa, fui influenciado por uma das áreas principais de pesquisa do Departamento de Antropologia na época: a etnologia dos povos Maia da América Central. A minha dissertação de Mestrado foi um estudo comparado da organização ritual em comunidades de Língua Mam do Noroeste da Guatemala. Utilizando as etnografias de três comunidades Mam-falantes do Departamento del Huehuetenango na fronteira de Guatemala e México, comparei as estruturas e variações dos seus rituais calêndricos e hierarquias civil-religiosas. Outras pesquisas que eu realizei nesse período, ou para trabalhos de curso ou como projetos independentes de estudo, incluíram: (1) uma pesquisa histórica sobre cultos religiosos, especificamente o ‘culto de Maximón’ entre comunidades Tzutujil do Lago Atitlán da Guatemala central; e (2) um estudo de textos literários maia, especificamente o Popol Vuh e os Annales de Cakchiquel, e suas relações com as culturas K’iché e Cakchikel históricas.

No verão de 1973, realizei meu primeiro trabalho de campo, sob a orientação de Prof. Benjamin Paul, nas comunidades de San Pedro la Laguna no Lago Atitlán e Todos Santos no Departamento del Huehuetenango, Guatemala. Como resultado de uma série de seminários apresentados no Departamento de Antropologia pelo Prof. Terence Turner da Universidade de Chicago em 1974-75, fiquei interessado tanto em sua crítica do estruturalismo, como em sua chamada para que os antropólogos se conscientizassem da situação crítica dos povos indígenas na Amazônia devido às políticas desenvolvimentistas nacionais. Já que não havia ninguém na época no Departamento com experiência de pesquisa especificamente nas Terras-baixas sul-americanas, desenvolvi por conta propria meu interesse na bibliografia etnológica da América do Sul, Antropologia da Religião, e sobretudo, a etnohistoria. De fato, a última me interessava desde o primeiro ano da Pós-graduação quando fiz um curso sobre “Perspectivas de Tempo na Antropologia” que analisou os diversos usos da história na Antropologia. Decidi concentrar a minha pesquisa na etnohistoria dos povos indígenas da Amazônia, atraves de suas narrativas, a sua fala sobre o passado, e seus mitos sagrados. As minhas pesquisas iniciais na bibliografia histórica dos povos indígenas da Amazônia revelaram que muito pouco tinha sido feito e quase tudo que existia foi sobre povos extintos no início da história do contato.

Dos meus orientadores, aprendi métodos historiográficos, tão bem como uma noção mais clara do estado das sociedades indígenas da Amazônia na época dos primeiros contatos, e dos impactos da economia política de expansão colonial na região. Meu orientador sugeriu que o Noroeste da Amazônia pudesse ser uma área de pesquisa potencial para meu projeto de doutorado, porque existia (1) um acervo nos arquivos relativamente completo de fontes escritas sobre os povos indígenas desde o século XVIII até o presente; (2) um acervo grande de fontes escritas sobre uma série de movimentos proféticos da metade do século XIX, o qual nunca tinha sido pesquisado; e (3) povos indígenas que muito provavelmente teriam tradições orais sobre estes movimentos. Meu conhecimento básico da literatura etnológica sobre as sociedades indígenas do Noroeste foi enriquecido enormemente pela bibliografia histórica. O desafio da etnografia do Noroeste era de determinar as conexões entre a cosmologia e os rituais de iniciação característicos das culturas Tukano e Aruak da região, e os movimentos proféticos históricos. Estes movimentos ainda ocorreram em partes da região do Uaupés colombiano nos anos de 1960. Isto, então, tornou-se o foco central do meu projeto de pesquisa para a dissertação...

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